Virtual Politik

 

Baiona, Espanha

 

 

 

 

 

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O Significado da Política Virtual

O termo VIRTUAL POLITIK tem uma significação original bem diferente daquela que foi adotada a partir dos anos 80. No período do Chanceler Kissinger (que havia iniciado carreira como secretário particular de N. Rockefeller, e era a figura decisiva no gov. Nixon), a mídia anunciava a nova Real Politik do Chanceler, o que seria o caráter franco e rudimentar, com fotografias sorridentes, do novo pragmatismo na relação Ocidente vs. Russia e China.

Talvez tenha sido na Alemanha que a expressão Virtual Politk tenha surgido, para designar o oposto disso: a visão universalista e utópica, o humanismo das esperanças e projetos de civilização, de planejamento da produção e fim da guerra econômica.

Nos anos 90, a idéia da Política Virtual ficou retida no sentido de uma “filosofia do Ser” e da resposta artística, individual, comportamental, por diferença a uma filosofia da práxis e da história. Os sentidos dos projetos históricos, de significação antropológica, ou universal, foram substituídos por uma filosofia de “imanência”, de puro movimento e flutuação, segundo uma ética de criação repetida de “estados de presente ideal” (inspirada na filosofia spinozista).

Foi nesse contexto que o “virtualismo” passou a significar a virtude do indivíduo físico isolado, porém navegando na internet, vivendo o mundo à sua maneira e escolha, sem que seja necessário mais sair de seu reduto...

E foi num seminário com o título de Virtual Politik, porém com esta significação romântica e spinozista, que esta temática foi pela primeira vez apresentada [1996] ... [**]

Entretanto, a reação selvagem e histérica de um público que se queria “romântico” e “libertário”, diante do problema das políticas secretas imperialistas... nos fez pensar que tudo estava perdido, quando afinal o puro instinto de fuga anti-realista passava a ser dado como virtuosismo.

É necessário, portanto, se reassumir este termo da Virtualidade, para designar efetivamente aquilo que é universal, que é totalizante, que é abrangente e opera por sínteses... Todos os sonhos, todas as hipóteses, e todas experiências e projetos: a Virtualidade designa um Super-Real, uma super-faturação das realidades: efetivadas; das prováveis e possíveis; e ainda das imaginárias...

Finalmente, é nossa intenção explícita que este termo possa ocupar sua significação ali onde já alguns autores identificaram uma Super-Dialética, ou mesmo Hiper-Dialética [*], para designar o ofício filosófico de Marx e Engels concebido numa forma acelerada, de múltiplos fatores, de modo que efetuações cada vez mais complexas de oposições e sínteses se operam.

[*] Conforme a tese do prof. Sampaio, do IFCS-UFRJ, apresentada no Seminário de Marxismo, no C. de Cultura, em novembro de 2001.

A concepção desta nova virtualidade política como “super-dialética” resume a síntese do marxismo do séc XIX, feita por muitos autores, com o marxismo estruturalista do séc. XX, no qual as estruturas sociais aparecem como conjuntos totalizadores.

Na história, as estruturas antropológicas seriam o equivalente a conjuntos totalizadores, funcionando como “matrizes algébricas”: matrizes que descrevem o surgimento do mitológico, das significações e dos valores; das condições de ação política, cívica, social, jurídica, e assim por diante.

Ciro Moroni Barroso

[**] Spinozistas Românticos contemporâneos da Era Thatcher/Reagan podem ter sofrido torções de Leibniz, e deslizamentos por Deleuze, tentando expressar gestos de acabamento de valor incorporal no espaço&tempo, se inspirando de modo casual numa leitura cética... assumindo forte descompromisso ético, pagando o velho aluguel na urbe, fazendo as compras no super-mercado, (possuindo cães), tendo que dirigir no trânsito, tomando banhos com água clorada... ?

[Uma canção de John Lennon??] [É difícil imaginar como podem estar agora: no individualismo simples, martirizado, pagando sempre o mesmo pedágio à indústria automobilística para os fins-de-semana? Sem mais nenhum Jardim-além?]

stoapoikile.bravehost.com/

 

Para Todos Aqueles que Desejam Encontrar
a Guerrilheira da Floresta

Rosa Luxemburgo [aqui com cerca de 20 anos / 1891] e Jana Moroni Barroso são Moças que se tornaram Mitos: é somente assim que poderiam ser homenageadas...


Entretanto, há um excesso de Festividade, nessas comemorações de “guerrilheiros mortos” e “esquerdistas torturados”, que resvalam fatalmente para o demagógico, para o dispersivo, para o puro naïf... [!!!]

As Comissões Judiciosas para se poder saber “toda a verdade”, agem de modo engraçado: é como se uma Magnânima Corte fizesse juízo para determinar como exatamente enforcaram o Alferes Xavier... com que corda; por ordens de quem; durante quanto tempo ele ficou sufocado até morrer; para onde foi levada sua perna; para onde foi sua cabeça??

Todavia, a Judiciosa Corte nada é capaz de revelar; nem tem intenção de querer saber: quais as condições para a instauração de uma República no Brasil, a partir de lideranças em Vila Rica, etc; quais as chances que tinham estes republicanos precoces em vencer militarmente o Estado Monárquico Português, ganhar a opinião pública; por que foi o Alferes condenado à forca, e o Padre Toledo, eminente liderança burguesa, assim como todos os outros da sublevação, apenas exilados ou presos?

tribunadepetropolis.net/index.php/cidade/21628-grupo-pro-comissao-da-verdade-pede-regulamentacao

A reportagem que menciona a “busca” por Jana Moroni, do domingo 11/Out/2015, na Tribuna de Petrópolis, é mais um presentinho açucarado com recheio de vinagre: terrivelmente apelativa, sentimentalista, e mal-focada. [E o repórter RM não deu a mínima atenção a nenhum dos materiais e comentários que lhe enviei, não consultou o material indicado no PT, e não me enviou a cópia da matéria] [Por sorte, consegui um exemplar da edição com um agente na Rua 16]...

Os “guerrilheiros do Araguaia”, para se tornarem dignos do Epíteto, fizeram treinamentos, e abraçaram uma disciplina espartana, que seria prontamente repudiada no “contexto sincero do dia-a-dia” pelos artistas de rua da Xúxa, e de palco do Cháplin, pelos funcionários-do-bomtempo indicados pelo PSB e PCdB, pelos candidatos a cargos executivos e legislativos no PDT, no PT do A, do B, do C, e do D... Estes mesmos, que tanto amam o esquerdismo figurado, estariam assinando listas e fazendo protestos “contra a ditadura” se, por Ventura, o regime Maoista do Pecê-do-Bê, data 1969, fosse instalado = digamos, no Perú = e estes rapazes e moças fossem peruanos “militantes pelas liberdades” = tal como agora...

A contradicção de Vocês é palpável: Se os “guerrilheiros” foram heróis destemidos, porquê agora eles se tornam coitados judaico-cristãos, sofridos, perseguidos e martirizados? Será porque a cultura judaico-cristã só beatiza os martirizados? Será porque “comunista bom é comunista torturado-e-morto” = ?? = Quero lembrar aos mesmos militantes figurados de esquerda acima que numerosas iniciativas de orientação marxista e/ou leninista e/ou reformista foram a eles apresentadas no período 2012-2014 em Petrópolis, para serem em seguida desrespeitadas, atropeladas, avacalhadas = ou seja, a mensagem dos “comunistas” atuais, atuantes e “vivos” não parece tão interessante quanto “homenagens” aos mortos e desaparecidos...

Jana Moroni e os que preferiram a clandestinidade e o combate em 1971, repudiaram frontalmente estes valores sentimentalistas, os sentimentos reais das famílias preocupadas, a segurança dos salários e cargos, a carreira e o nome na praça, as campanhas eleitorais, os acordos com candidatos a Prefeito tendo em vista “participação no governo” = e Vocês agora ficam usando sem o menor recato o nome da Santa Joana D’Arc = em suas jornadas de inserção na classificação pequeno-burguesa!

Ao invés de ficar procurando “restos de corpos desaparecidos”, de resto “super” de mau-gosto, e juridicamente incongruente [1] = Não seria mais honesto apoiar os movimentos e a instrução de caráter marxista-leninista ATUAIS, que não estão de modo algum almejando alvos florestais e de campesinato impossíveis = e sim propondo uma análise da Hegemonia Internacional que dê o ensejo aos rapazes e moças atuais trabalharem politicamente, sem depender dos partidos institucionais da lógica-burguesa, sem depender das eleições, e de “cargos de governo”= ?? = Nesse caso os diletantes trabalhariam com os “restos políticos” dos militantes dos bons-tempos = não seria mais interessante??

Muitos artistas, nesse campo das Homenagens Teatrais, de-Fachada Institucional, teriam muito mais a ganhar, estudando a literatura da época, que mostra, até demais, que aquele não era o momento para um Levante = tal como em 1935 [2] = Não se trata de desconhecer a tremenda coragem e a valentia de quem tomou em armas durante o período 1969-1974 [Ditadura da CIA].

Exatamente na lógica oposta está a razão que diz: “Por serem valentes e ousados eles não observaram adequadamente o estudo dialético da História”, e acreditaram que um “apoio do campesinato” seria uma fatalidade histórica. E se tivessem seguido o manual marxista-leninista mais ortodoxo, teriam organizado uma resistência clandestina durante dez anos, fazendo as movimentações táticas adequadas nas classes-médias, no operariado, no campesinato...

E estariam vivos até hoje: e dando as indicações aos “militantes” e oportunistas alveolados na ordem institucional e eleitoral pequeno-burguesa... de que esta ação que eles reconhecem não é a "Ação Política” = a Política é a definição de um Programa e uma Carta, e a discussão com o Povo [num Município, p. exemplo] = [e com as classes médias e burguesas, senão “você não governa”] =

E os comunistas, vivos, estariam sendo esnobados pelo PT do A, do B, do C, e do D, pelos artistas de palco e de rua, e pelos bisonhos funcionários com “cargo de governo”...!


Um dos títulos da matéria de 11 de Outubro é inteiramente “fora da Real”:

“SONHO DE LIBERDADE MASSACRADO NO ARAGUAIA”

A “guerrilha” do Araguaia, em primeiro lugar, vem entre aspas, porque os 100 militantes armados não teriam previsão para “entrar em guerra” com tropas federais [e mercenários, cerca de 20 mil, com paraquedistas] senão uns 15 anos depois, e com apoio de 20 mil caboclos campônios valentes [como depois foram os Zapatistas no México, e as FARC na Colômbia.]

O que eles pretendiam não era um “sonho”; e não era “de Liberdade”; e não tinha o “objetivo de destituir o governo militar e instituir um governo de esquerda no Brasil”... Como maoístas, eles tentariam obter apoio crescente das classes trabalhadoras, no campo e nas cidades. Isto demoraria muito, no mínimo mais de uma geração. Se eles obtivessem consenso nas classes trabalhadoras, poderiam tentar hegemonia militar, mas isso ainda seria muito pouco provável. O mais provável é que tivessem um “braço parlamentar” – talvez apoiassem a eleição de um Presidente Reformista e... Então dariam o Golpe de Estado, e toda a República Burguesa seria destituída... O Regime Maoísta, como Ditadura Operária, seria instalado.

Isto levaria a nossos buscadores de “guerrilheiros enterrados na Floresta” a assinar manifestos “contra a Ditadura”, que “persegue pequenos-burgueses felizes e libertários”, e assim por diante... Só mais uma ou duas gerações depois, a “Liberdade” seria alcançada, com a vigência do Comunismo Pleno e Perfeito.


Muitas afirmações do Ator Moroni como depoente central do “drama” da “desaparecida política”, na matéria de 11/Outubro, não são verídicas: a necessidade sentimental, apelativa e demogógica, faz obscurecer justamente o caráter revolucionário e ousado da Operação Araguaia, transformando a todos em “perseguidos e injustiçados”. Não foi a “luta por um país democrático”, no sentido da ideologia libertária pequeno-burguesa, que motivou “Jana... a ir para a região do Araguaia em 1971”. Foi no sentido “autoritário e militar” maoista. Não é verdade que “Jana teve que fugir”: ela anunciou que “entraria da clandestinidade” por decisão própria no início de 1971. Não é verdade que ela foi “perseguida na Universidade”.

Não é verdade que ela “herdou o espírito guerrilheiro dos pais”: os pais da estudante, como tantas novas gerações dos anos 50 e 60, acreditavam fervorosamente na solução prática e natural do nacionalismo e Estado Reformista; nenhum brasileiro sensato pensaria em “luta armada”. Foi o golpe de Estado contra Jango que trouxe a justificativa [e a correlação necessária] para os comunistas e revolucionários, mas isso não era o desejo das pequeno-burguesias nacionalistas.

Ao contrário do afirmado, os pais “não” apoiaram a “luta da Jana”; na verdade, imploraram que ela não entrasse na clandestinidade, por ser medida perigosa e em excesso, tendo em vista o estabelecimento da ditadura nazista militarizada da CIA a partir de 1969. [3]

E ainda, o fato de alguém “prestar depoimentos” aos representantes da Ditadura, não quer dizer que a pessoa “foi presa”. O Sr. Girão, pai da estudante, apenas deu depoimento no batalhão D.Pedro II em 1965, porque era membro do [inofensivo] Partido Socialista. Muito antes, portanto, das perseguições e desventuras do período nazi-fascista que começou com o AI-5 em dezembro de 1968.


ATENÇÃO homenageadores de comunistas torturados e mortos com nomes de praças e estátuas: Vocês não percebem que isto é exatamente o que os comunistas “detestariam” merecer, ao “praticar seus atos”...?? Esta lógica pequeno-burguesa sentimentalista, tópica e ornamental = que eles abandonaram em favor da guerra aberta?

Ó: vocês são chatos, hein?! E deixem o nome do Carmona lá na praça, podem ficar certos que não é o lugar da “guerrilheira da floresta”...! [5]

C.M.Barroso

[1] Os “guerrilheiros” se meteram nos campos e florestas do Araguaia justamente para “não serem encontrados”...

[2] Alguns verdadeiros autores “comunistas”, desconhecidos por amiguinhos “de direita” e “de esquerda” atuais, revelaram que, justamente a adesão tardia e incompleta de L.C. Prestes aos autênticos “manuais” da interpretação histórica do marxismo-leninismo, foi razão de sua defesa precoce da “revolução” no País Brasil dos anos 30, semi-industrializado, semi-alfabetizado, com o campesinato tão abestado quanto no séc. XIX, e com a Burguesia ainda em ascensão... [4] O Ato Revolucionário em 1935, de reduções castrenses, se tornou “intentona”, e deu à Burguesia Brasileira rancores e motivos “anti-comunistas”.

[3] A qual desfez a correlação mencionada para os movimentos revolucionários, devido à superioridade militar, estratégica dos imperialistas.
Tive a oportunidade de acampar com a Jana Moroni e seus colegas futuros milicianos do Araguaia, na praia de Itaipuaçu, antes que ela anunciasse o ingresso na clandestinidade [e na “luta armada no campo”, como só viríamos a saber em 1977]. Com a idade de 16 ½ anos, toda a preparação dos ex-estudantes que iam se tornar milicianos me pareceu demasiado espartana e assustadora; e me pareceu claro, desde então, que não fazia sentido desafiar a ditadura diretamente naquele contexto.

[4] P. exemplo, Basbaum, História Sincera, vol. III, cap. 4:
=> Assim a Aliança Nacional Libertadora, que fora criada para que através dela o Partido Comunista se pudesse unir às mais amplas massas, estava sendo a pouco e pouco abandonada por estas massas, deixando os comunistas sozinhos. “A idéia do assalto amadurece na consciência das grandes massas”, diz um dos manifestos assinados por Prestes. “Por um governo popular nacional revolucionário! Todo o poder à A.N.L.”. Pelo visto esses longos manifestos não conseguem impressionar as “grandes massas” que começaram a abandonar a Aliança. Por isso mesmo, o movimento se fez sem elas.

[5] O nome Carmona tem lírica sonoridade lusitana... (Ainda que o Marechal português tenha sido caudilho da Direita.) Porém há muitas outras famílias Carmonas, cheias de amor no coração. [Talvez um bom Decreto seria para: "Praça do Carmona"].